30 Minutos


Hoje tirei meia-hora.

Meia-hora pra não fazer nada.

Meia-hora longe do trabalho.

Meia-hora longe das tarefas de casa.

Meia-hora sem dar opinião.

Meia-hora sem discutir a crise mundial, o bolivarianismo, a putaria dos museus ou a retirada da ciclovia.

Foi meia-hora pra olhar pela janela.

Meia-hora para observar a pomba ciscando na área comum do prédio.

Meia-hora pra olhar o céu azul acinzentado.

Meia-hora para ver mais ou menos 10 aviões singrando os céus (eu queria estar em um deles).

Meia-hora para assistir as copas das árvores balançando com o vaivém do vento.

Meia-hora para perceber que o barulho constante e indefinível dos carros passando na Marginal Tietê ao longe pode acalmar tanto quanto o barulho do mar.

Eu poderia dizer que era meia-hora pra mim. Meia-hora para eu relaxar, para eu respirar e me acalmar.

Contudo, a verdade é que esta meia-hora foi um tempo para o mundo. Meia-hora para que eu percebesse que eu existo. Meia-hora para que ele, o mundo lá fora, percebesse o meu grito de socorro e mandasse o canto dos pássaros, o vento nas árvores, os insetos e a paz do Infinito me resgatarem de mim mesmo, do meu mundinho medíocre e me mostrasse que, apesar de todos os problemas, apesar de toda a correria ele, o mundo, ainda tinha tempo para me maravilhar.


Me trazer paz em apenas 30 minutos.

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