Deixem minha etnia em paz!

Quando personagens históricos ou fictícios são representados por etnias diferentes das reais ou daquelas idealizadas por seus criadores, não há problema, A MENOS QUE A NOVA ETNIA SEJA NEGRA. Aí, filho, senta que lá vem choro, esperneio, tiro-porrada-e-bomba, o ki-suco ferve e todos são convidados a se retirar, pelo bem da boa aparência. E com o mundo dos quadrinhos não é diferente... 


Acabou de ter um mimimi monstro em algum grupo de quadrinhos no FB que eu nem lembro qual era, acho que era na "Mundo dos Super Heróis", "Legião de Heróis", não lembro agora, sobre representatividade do negro no mundo dos super-heróis.

Aquestão toda girava em torno do Jimmy Olsen ser negro no seriado da Supergirl que estreou por estes dias. Daí começou o chororo do "por quê trocaram a cor do personagem?" (e olha que o Jimmy Olsen nunca deu visibilidade e representatividade nem pros ruivos...).

James "Jimmy" Olsen Negão - "que bissurduuuuu!!!!"

É sempre o mesmo papo. Ninguém liga quando se troca a etnia de um egípcio por um europeu (Êxodo, só pra citar um dos mais recentes), ou se você tem, em um filme do Bátima, um Bruce Wayne de olhos verdes e cabelo encaracolado (Keaton), no outro um loiro (Kilmer), um de cabelos e olhos castanho (Clooney) ou um galês (Chris Bale). Ninguém se debate na poltrona quando tiger Lilly, uma indígena norte americana, é interpretada por uma branca (na nova adaptação de "Peter Pan"), mas escurece um pouco a pele do demônio que começa o "funga-funga" (chuinf). Troca por um negão, então, pra ver o que rola...

Daí vem um e cita a "sumidade" dos quadrinhos, John Byrne, pra justificar seu ponto de vista. Não que eu não respeite seu trabalho enquanto escritor e desenhista, mas isso não faz do cara um mestre em todos os campos do saber, e volta-e-meia, por ter todo esse prestígio, ele se dá ao direito de bostejar. Seguem alguns trechos da entrevista, e depois o link para o texto completo:

"Há um tempo atrás, Hollywood notou que a propagação constante de videocassetes e sistemas de entretenimento doméstico havia aumentado, para não mencionar os canais de filmes a cabo; o que significou que mais e mais pessoas ricas e da elite branca ficaram em casa para assistir aos filmes. As salas de cinema estavam se tornando a província dos menos abastados, que Hollywood tinha como minorias, especialmente os negros. Então, algo de positivo surgiu: uma maior presença de minorias em filmes, o que acabou aumentando as bilheterias mundiais. O cinema se popularizava, e não foi Hollywood que decidiu isso."

(...)

"Por que não simplesmente criar um personagem diferente? Dê-lhe sua própria identidade ao invés de roubar a de outro. Faça-o Gabe Jones, ou Gabe Jones Jr, ou Gabe Jones III se você quiser."

Link para a matéria completa AQUI.

Sobre este segundo item destacado, quero só dizer que dá super-certo. basta vermos as reações a "Imperator Furiosa" (Mad Max), ou "Finn" (Star Wars: O Despertar da Força), este último vivido por John Boyega, e que levantou a fúria dops racistas de plantão, acusando a Disney e a Lucasfilms de (segurem-se nas cadeiras para não cairem de tanto rir) GENOCÍDIO DA CULTURA BRANCA (mas que dó...).

Ou seja, racistas sempre se debaterão quando não lhes derem seu "lugar de direito".

Mas, voltando ao assunto da fanpage, na verdade,o ki-suco começou a ferver quando eu disse que ía ter personagem clássico negro, sim, que ía ter Bruce Wayne negão, se pá, rsrsrs.

Daí, discussão vai, discussão vem, e os caras que tomam conta das pages simplesmente apagam o post pra evitar "bagunça" (olha o preto fazendo pretice...).

E assim seguem os quadrinhos e o mundo dos super-heróis. Sempre sendo só um entretenimento, e quando uma discussão mais profunda se forma, ela é suprimida, afinal, "o que os vizinhos vão pensar?"

Não quero dizer que os administradores de tais fanpages sejam racistas, mas eles estão contribuindo em muito para que o assunto seja cada vez mais jogado para baixo do tapete. Aliás, este é o principal meio que o opressor usa para calar a boca das minorias: "deixa disso", "pega leve", "mais amor, por favor", "pra quê isso". Citam até os santos nomes de cada segmento para tentar nos calar (no caso dos quadrinhos, como já disse, John byrne bostejando pelos microfones de alguma Comic Con, se não me engano).

Eu nunca fui assim tão atuante na questão racista talvez porque sempre me achei deslocado, talvez pelo fato de ser "moreno claro", e sempre ter sido colocado de lado nessas questões, tanto por pretos como por brancos (nunca fui bom o bastante para nenhum dos dois grupos - quero que se foda, by the way...). Porém, este caso que aconteceu com a Taís Araújo, na verdade, um entre milhares que acontecem todos os dias, por algum motivo me mostrou que mesmo sofrendo um pouco de discriminação pelos manos mais escuros do que eu, não posso deixar essa situação passar em branco, porque os vermes racistas sempre estão prontos para rastejarem e saírem de debaixo de suas pedras limosas e escuras clamando para que ninguém usurpe seus lugares ao Sol. Hoje é um comentário negativo sobre a representatividade negra nos quadrinhos, amanhã é sobre a representatividade na política, e em algumas décadas estaremos novamente cortando cana e, os mais afortunados, mais clarinhos, como eu, tocando música na sala de algum "sinhozinho".

Por isso, digo mais uma vez:

VAI TER REPRESENTATIVIDADE, SIM!
VAI TER PERSONAGEM CLÁSSICO REPRESENTADO COMO NEGRO/MULHER/GAY, SIM!
E SE O CHORORÔ FOR MUITO, VAI TER BRUCE WAYNE NEGÃO, SIM SENHOR!!!!


Minha contribuição para a representatividade preta do Batman - VAI TER, SIM!

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