Toma que o filho é teu - ou eu boto ele na cadeia


Antes sempre se ouvia nos jornais, ou por aí, pessoas dizendo: "estamos perdendo nossos filhos ou nossas crianças para as drogas, para o crime", etc.

Hoje em dia já não se ouve mais isto. O que se ouve é "temos que baixar a idade de condenação para colocar esses vagabundos na cadeia".


O que será que mudou? Será que estas "crianças" e "filhos" que antes eram nossos, agora não são mais? Será que agora justifica mandarmos "nossos filhos" para a cadeia, e quem sabe, num futuro próximo, para morrerem em cadeiras elétricas, fuzilamentos e câmaras de gás?

Ou será que, na verdade, essas crianças e filhos, que antes a sociedade chamava de "nossos", e que os apresentadores de jornal diziam que precisávamos tirá-los das ruas, dar educação, nunca foram mesmo "nossos filhos", mas sempre foram filhos do outro: da favela, dos pretos, das empregadas, dos trabalhadores, dos mendigos?

Parece que hoje a sociedade, cada vez mais embrutecida, não se importa de renegar estes filhos, e se sente-se à vontade para condená-los, sem o sentimento de que tais menores fazem parte da sua sociedade, da mesma família humana que nós, mas são bichos, são gente que nasceu assim, por aí, da "parideira", da chocadeira, como se dizia antigamente, e que não são mais preocupação nossa.
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