Tomando a Vênus Platinada de assalto


Não fui eu que escrevi o post a seguir, mas concordo plenamente:

Digão

Pois é. Agora os gospelentos chegaram ao céu. Que transformar a sociedade com a mensagem da cruz que nada, o bom mesmo é aparecer na rede Globo, em um programa especial voltado só para os evangélicos! Mesmo que o Festival Promessas tenha ficado só na promessa, o céu é o limite para essa turminha do barulho que apronta as mais altas travessuras com o nome de Jesus (mode narrador de Sessão da Tarde on).

 Agora, o que virá? Uma alternativa para esse pessoal é fazer toda a programação da Globo, só com nossos popstars ungidos.

De cara, seria abolido o Telecurso 2000. Afinal, a letra mata.

Bem de manhã, haveria o Grôbo Ruráu, apresentado pelo Valdemiro Santiago e seu chapelão, que faria a milagrosa campanha das vacas de Basã.

Após, teríamos um Bom Dia Israel de Deus, com Renê Terranova, que apresentaria mais um decreto patriarcal de bênção sobre o Brasil, transmitido de Porto Seguro.

Logo depois o Mais Você seria apresentado pela Ana Paula Valadão, que apresentaria dicas de moda, como a bota de couro de cobra para pisar na cabeça da serpente. O Louro José seria substituído por um leão de pelúcia. E quem apresentaria uma receita especial seria a Fernanda Brum, que ensinaria como fazer uma coxinha ungida.

O TV Globinho seria apresentado pela Mara Maravilha, que apresentaria pela 967435ª vez a reprise de Superbook.

O Globo Esporte viria com Marcelinho Carioca, que falaria de sua bênção de ter dívida perdoada. No Vale A Pena Ver de Novo teríamos uma ministração do Davi Silva.

Na Sessão da Tarde haveria filmes da qualidade de E o Vento (de doutrina) Levou, Guerra (espiritual) nas Estrelas, O Diabo Veste Prada (mas o apóstolo veste Armani)...

Na Malhação, o personagem principal seria André Valadão, que contracenaria com seu ego. O Jornal Nacional seria agora Internacional, apresentado, obviamente, pelo Romildo Ribeiro Soares.

O Programa do Jô agora seria Programa do Silas, que finalmente poderia apresentar um programa à noite sem precisar pagar, só receber, e o Sexteto seria substituído pela Damares, que sempre cantaria, o entrevistado tem sabor de mel...

No sábado, o programa Estrelas seria apresentado pela Sônia Hernandes, e ela daria mais dicas de moda valiosíssimas, ensinando como andar com tornozeleira eletrônica sem perder a elegância e ainda combinando com a bolsa Louis Vuitton.

À noite, o Zorra Total teria a Ludmila Ferber fazendo a Valéria, que trocaria seu bordão Ai como tô bandida!!! para Ai como tô ungida!!!.

E o Altar Horas seria do Jorge Linhares como prêmio de consolação, pois é um programa que ninguém vê mas que se acha importante.

No domingo haveria apenas uma maratona de Pequenas Empresas, Grandes Negócios, rebatizado de Gigantes Igrejas, Estranhos Negócios, sendo apresentado pelo Estevam Hernandes.


Não é para rir, é para chorar. No fim das contas, fico pensando: hoje o diabo não precisaria oferecer a glória de todos os reinos para ser adorado, como fez com Jesus (Mt 4.8, 9).

Bastou acenar com o holofote e o ibope de uma emissora em franca decadência que a turma se alvoroçou. E, diferentemente de Jesus, que mandou o diabo pastar (Mt 4.10), parcela da igreja evangélica brasileira de hoje aceitou de bom grado a oferta de satanás, pois não tem mais autoridade para repelir o inimigo, uma vez que se parece cada vez mais com ele. Tristes tempos os nossos.


Digão prefere a programação das tevês educativas, aqui no Genizah
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