O Natal

O ano está acabando, e eu pouco escrevi. Muita coisa aconteceu, muita mudança. Novidades boas e ruins. Coisas que não gostaria de saber revelaram-se e muitas respostas que procuro ainda estão aí, perdidas, diante dos olhos.

2011 foi um bom ano. Pelo menos particularmente o ano foi de novidades. Meu filho nasceu, e agora já está com seis meses. Com isso, minha vida ficou de pernas para o ar. Estou experimentando sensações e situações que nunca pensei, enxergando a vida através de outros prismas, respondendo às questões e problemas de forma diferente.

Mas não é sobre paternidade que quero falar (não agora). Nem quero falar sobre a mudança que passou. Eu, na verdade, nem sei sobre o que quero falar. Não tenho muito o que falar agora. Talvez isso seja até um bom assunto.


Sabe aqueles dias em que você acorda cheio de planos e ideias, mas que depois de algumas horas já está desistindo de tudo, ou simplesmente não tem ânimo para tocar os projetos? Tenho me sentido assim ultimamente. Tem gente que diz ser estresse, muitos podem dizer ser o espírito de fim de ano, quando a gente sente que não dá tempo de fazer mais nada e decide empurrar tudo para o ano que vem.

Seja o que for, este sentimento acaba me deixando com uma sensação de sufocamento, sabe. É como se o ar faltasse, como se os braços e pernas ficassem cansados, pesados, e você só queira se sentar, apreciar a paisagem, e esperar o próximo dia, o próximo trem, torcendo para que esse trem esteja mais vazio e que você possa sentar (não precisa nem ser na janelinha) e ler um bom livro, em vez de ter que se apertar, acotovelando-se junto aos demais.

Contudo, a realidade tenta mostrar cada vez mais que o trem salvador nunca passará. Que a situação nunca mudará, e que quanto mais ficarmos esperando essa situação confortável, mais desconfortante tudo ficará ao nosso redor.

Acho que a saída simplesmente é entrar nesse trem desconfortável, mesmo. Espremer-se entre as pessoas, acotovelar-se, pisar nos pés dos outros e ter o seu pé esmagado pelos demais, torcendo para que a próxima estação seja melhor do que a que estamos agora.

Muita gente vai dizer "mas e se a situação seguinte for pior?" E se a nova casa tiver infiltrações, se o novo emprego for chato, se o próximo carro tiver defeitos? E se amanhã o dia se revelar mais desesperador que o de hoje, se a situação financeira piorar, os mortos se empilharem mais e mais e a fome aumentar? É, tudo pode estar bem pior do que hoje... Pode ser que nada nunca melhore.

Só que que é preferível mudar, mesmo na incerteza de melhora, do que ficar parado em um lugar em que se tem a certeza de que tudo sempre ficará ruim. Entre a incerteza, mas com a possibilidade da melhora, e a certeza de que tudo sempre será uma porcaria, prefiro sair andando. Pelo menos a paisagem será diferente e meus olhos, cansados de olhar sempre a mesma coisa, poderão se alegrar, ainda que momentaneamente, com algo que jamais vislumbraram, quem sabe enxergando uma oportunidade onde, para muita gente, haja só escombros e desgraça.

É. Acho que vou tomar o próximo trem. Até a próxima parada, e um feliz 2011 pra todo mundo.
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