São Paulo e o relevo – os desafios da bicicleta como meio de transporte (ou “Por que Copenhague me deixa angustiado”)

Leio diversos sites sobre ciclismo, cicloativismo, transporte alternativo, etc. Gosto de pedalar, e gosto de ler sobre pedalar. Gosto de saber o que estão fazendo em prol da mobilidade alternativa. Enfim, procuro ser um cara que tenta melhorar o dia-a-dia aqui na cidade. Gosto de São Paulo e, acima de tudo, acho que todo mundo tem o direito de viver bem onde nasceu, independentemente de onde seja.
Nestes sites e blogs sobre cicloativismo, sempre encontramos boas dicas de como andar nas ruas dos grandes centros urbanos de bicicleta, reflexões sobre a situação das cidades, protestos, etc. Há também exemplos de outras cidades do mundo que se deram em com as bikes. Temos exemplos em quase todos os continentes, inclusive aqui na América do Sul, o que nos faz enxergar o ciclismo como opção de transporte algo possível até mesmo aqui pro lado debaixo da linha do Equador.
Contudo, são entre estes exemplos que residem tanto a minha alegria como a minha angústia. Por que angúsita? Porque dentre os exemplos comumente citados nesses blogs, está a cidade de Copenhague.
Se você não sabe o que é Copenhague, de uma lida aqui.
Se você já sabe onde é, como é e porque Copenhague é o que é, então vai entender o que estou falando. E olha que não quero entrar nos fatores econômicos, sociais e culturais da capital da Dinamarca. Estou apenas falando de relevo. Todas as vezes que vejo aquele povo andando de bicicleta nas fotos das ruas de Copenhague, imagino: “nossa, como elas são felizes em poder ir ao trabalho em um local plano e frio, e eles não chegam fedendo e grudando no escritório”.
São Paulo é um desafio de todos os pontos de vista. Além de ter um dos piores trânsitos do mundo e uma adminiastração pública de fazer inveja a qualquer ditadura africana, conta com um relevo que não é assim uma facilidade de se locomover.
Essa é toda a minha angústia.
Morando em São paulo, principalmente em bairros como Santana ou Perdizes, por exemplo, é impossível sair de casa (ou voltar pra ela) sem chegar todo fedido e molhado de suor. Moro no alto de uma ladeira, e todas as vezes que volto pra casa, no Bairro do Limão, gostaria que minha bicicleta fosse dobrável: colocaria ela na traseira de um táxi e subiria até em casa.
Agora, por que eu fico angustiado com essa situação? Porque eu até que gostaria de ir para o trabalho pedalando, e aposto que muita gente gostaria, mas se não bastasse ter que enfrentar o trânsito, a falta de lugares para pedalar, lugares para estacionar e uma série de outras deficiências, o paulistano ainda tem que se preocupar com o relevo de sua terra.
E o qual é o intuito de se escrever um texto desses? Eu não sei, na verdade. Mas, quem sabe, alguém passe por aqui e leia o texto, e comece a pensar que não adianta incentivar o uso de bicicletas. Também é preciso incentivar o transporte consciente onde não é possível andar de bicicleta por motivos naturais (como as ladeiras da minha cidade).
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