Sou chato e inconveniente, mesmo, e dai?

Hoje é um dia atípico. O Brasil dos microblogs tem explodido em fúria contra um homem que há muito tempo vem fazendo um estrago em nosso país, seja na presidência da República, na presidência do Senado, ou de qualquer outra forma em que venha atuar no palco da política, uma erva daninha que já se arraigou há muito tempo nas terras férteis da corrupção brasileira: José Sarney. Desde algum tempo, vem se disseminando a hashtag #forasarney pelo Twitter, exigindo a saída de Sarney da presidência do Senado brasileiro. Porém hoje, talvez impulsionados por uma passeata que, ao que parece, foi feita em São Luis - MA exigindo a saída do Sarney, o número de postagens citando essa tag tem aumentado espantosamente. Isso se deve, principalmente, ao número de "celebridades" que tem divulgado a tag, bem como as informações das passeatas (parece que haverá uma em Brasília e outra em Campinas quarta-feira que vem - 01/07) que demonstram a indignação de alguns internautas com a situação que envolve o Poder Legislativo. Até aí tudo bem. Tudo bem, mas ao ler as postagens dessas pessoas que divulgam o assunto, percebo que tudo o que acontece é muito da boca para fora. Todos querem meter a boca no trombone, mas poucos estão dispostos a levantar uma bandeira até suas últimas consequências. E olha que as "últimas consequências", aqui no Brasil jamais, creio eu, chegariam aos pés das primeiras consequências de uma manifestação pacífica no Teerã. Todos escrevem muito bem, e xingam muito, com a propriedade e a liberdade que um teclado lhes proporciona, porém aposto que nenhum dos que estão escrevendo estariam dispostos a realmente organizar, por exemplo em uma passeata, e sair em protesto na rua, como fazem as pessoas que realmente querem ver mudanças. Parece que a preocupação principal das pessoas é aumentar o número de postagens com certas tags (em especial a #forasarney) para figurarem em listas de "Trending topics" a fim de mostrarem "nossa, olha como nós conseguimos aparecer?" Dentre esses divulgadores, há classe dos artistas. Estes parecem estar preocupados em polir sua imagem pública, mostrando como são "radicais", "antenados" ou seja lá qual outro termo queira-se usar. Eles gostam muito de "espalhar a notícia", de inchar os já superpoluídos veículos de comunicação online para quem sabe figurarem como "o artista da hora", talvez levando mais gente ao teatro, ou fazendo a audiência subir, para, quem sabe, terem uma sobrevida na telinha. E nesse meio vemos os tipos mais bizarros, que usam as mais variadas formas de discurso para "mudarem a cara do país". Teve até o Tico Santa Cruz (Detonautas) saindo pelado com uma meia pendurada no pinto com o peito escrito "Fora Sarney" (superoriginal...). Quero Dizer que não tenho nada pessoal contra eles. Até admiro seus trabalhos, dou risada com suas piadas, canto suas músicas, mas por favor, NÃO TENTEM ENGANAR O POVO! Vocês estão estrapolando as linhas do palco e da tela da TV com seus personagens. Não tentem pagar de Che Guevara, de revolucionário, quando na verdade, não conseguem nem mesmo revolucionar as suas carreiras! O bem da verdade, é que todos eles, ou a maioria, na juventude, tiveram ideias brilhantes, mas lhes faltavam oportunidades para executá-las. Hoje tem os meios e as oportunidades, porém lhes falta SACO pra fazer algo. Estão ocupados demais com suas carreiras volúveis, e não podem separar algumas horas para partirem para a ação direta. Infelizmente, esse é o Brasil em que vivemos. enquanto em outros países vemos o povo saindo às ruas para lutar pela democracia, nós que a temos não a usamos, ou usamos para nossa conveniência. Outros que me deixam emputecidos são os brasileiros que militam pela causa iraniana. Claro que acho totalmente digna a causa iraniana. Porém, com tanto problema no Brasil, com tanta gente morrendo por uma ditadura velada, a ditadura do capitalismo e da moda, que faz mais mortos do que guerras e revoluções através de pobres, famintos, drogados, miseráveis espalhados pelas ruas de fora a fora no Brasil, porque usamos toda a nossa força numa causa cujo mundo todo tem defendido? Podiamos aproveitar que tem tanta gente cuidando do problema por lá, e cuidar do nosso por aqui, afinal, se a gente não correr atrás do nosso, quem corre? Revolucionários, artistas, amigos e gente comum: aproveitemos o momento para reivindicar aquilo que é nosso, também. Quem sabe tenhamos a chance de sair às ruas, não inconscientemente e servindo de massa de manobra a uma classe maldita de políticos, como aconteceu com os palhaços "caras-pintadas", mas de forma inteligente e eficaz. Aproveitemos o que nos foi dado. A última mordaça (lei de imprensa) que amarrava a nossa liberdade de expressão caiu. Agora temos a liberdade de publicar qualquer coisa, em qualquer veículo, inclusive criando nossos próprios veículos, e expressar tudo o que queremos sem ter que dar satisfação de nossos atos, bastando que os assumamos, e com eles suas consequências. Vamos lutar pelo mundo, sim, mas comecemos lutando pelo nosso quintal.
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