Reforma

A igreja passa por momentos turbulentos. De um lado há pentecostais que dizem que os protestantes tradicionais estão pecando ao "negligenciar" os dons do Espírito Santo. Do outro, os tradicionais, que acusam os pentecostais de perder a racionalidade do culto a Deus, tornando-o totalmente emotivo e voltado para apelos materiais, sem uma base fundamentalmente cristã; acusam as igrejas evangélicas de estar propiciando uma "volta a Roma". Há ainda quem defenda que o Cristianismo está acabando, ainda que tenha existido por quase 2000 anos. Vivemos num tempo em que o corpo de Cristo está dividido, em que cada um tenta buscar seus interesses. Erramos porque tentamos tirar de Deus a bênção da salvação (que vem pela fé). Erramos também por sermos tão "cristianamente céticos" ao ponto de não crer que Deus possa usar as pessoas como usava na Igreja Primitiva. Erramos porque fazemos de nossos cultos bacais e saturnalias, movidas pela emoção e pelo êxtase. Porém, se pararmos para pensar, perceberemos que o erro maior é não voltar os olhos para o principal motivo de sermos cristãos. Cristo não nos chamou para sermos doutores segundo o nosso entendimento. Tampouco nos chamou para sermos curandeiros e fazedores de milagres. Não só para isto fomos chamados. O motivo para o nosso chamado é, nas palavras de Isaias, lidas por Jesus no templo, "para anunciar boas novas aos pobres; proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor." (Lucas 4:18 e 19). Somente quando percebermos que a nossa missão é levar Jesus às pessoas, e junto com ele tudo o que ele oferece — paz, salvação, alegria, ânimo para enfrentar as lutas e alívio para a alma —, é que poderemos dizer que a igreja está sofrendo uma reforma verdadeira. Não quero a reforma da letra, movida por interesses políticos e doutrinários. Não quero uma reforma sangrenta, que queima hereges e afoga papistas. Não quero o sangue de Lutero e nem de Leão sobre as minhas vestes. Quero o sangue do Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo, para que eu possa, por meio da fé, gozar uma vida feliz e sem culpas, pois "Não há mais condenação para os que vivem com Jesus Cristo, porque a lei do Espírito da Vida, em Cristo Jesus, nos livrou da lei do pecado e da morte.../... Pois não andamos mais segundo aquilo que queremos fazer, mas segundo a vontade de Deus por meio do seu Espírito."
(Romanos 8:1,4; adaptação minha)
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