05 novembro 2015

Deixem minha etnia em paz!

Quando personagens históricos ou fictícios são representados por etnias diferentes das reais ou daquelas idealizadas por seus criadores, não há problema, A MENOS QUE A NOVA ETNIA SEJA NEGRA. Aí, filho, senta que lá vem choro, esperneio, tiro-porrada-e-bomba, o ki-suco ferve e todos são convidados a se retirar, pelo bem da boa aparência. E com o mundo dos quadrinhos não é diferente... 


Devaneios de um povo que aprendeu a ser superior

A polarização política é ruim para todos.

O brasileiro mediano não sabe analisar a política, e a única forma de tomar partido de algo é como se fosse torcendo por times de futebol, de forma passional e decerebrada.
Este comportamento também leva ao fenômeno de nunca admitir quando seu candidato ou partido é ruim. Isto fica evidente em um estado onde o governador mente e fecha escolas e não se ouve nem uma panelinha no alto dos prédios. Nem uma buzininha...



03 novembro 2015

Quando a negra passa e a gente nem percebe

Hoje pelo Facebook, pude ver um vídeo sobre os 100 anos de cortes de cabelo masculinos dos EUA, do canal WatchCut no Youtube.

Daí, fui dar uma olhada no canal, e vi que eles fazem retrospectiva de vários países e vários tipos de pessoas, seja fazendo penteados em modelos, seja através de pesquisa de imagens.

Encontrei um vídeo que compara os cortes de cabelos de brancas e negras. Achei bem legal, porém, fiquei meio puto ao perceber que muita coisa das negras eu perdi, eu não lembrava e sequer havia percebido. Quando chega aos anos 2000s, fiquei espantado, porque vi um penteado de tranças muito usado por protagonistas de sitcom, mas que eu nunca enxerguei como um estilo de cabelo negro. Simplesmente era um estilo de cabelo daqueles personagens.

Posso estar caçando pelo em ovo, como dizem, mas eu fiquei meio chateado em descobrir que eu conheço muitos cortes de cabelos de brancas, mas não conheço muito, ou nunca havia percebido, cortes de cabelo de negras. Eu acho que isso acontece porque a mídia superexpõe a imagem do branco, enquanto o negro, pelo menos na grande mídia, resume-se a sitcoms, os famosos seriados de comédia de famílias negras dos EUA, como "Um Maluco no Pedaço" e "Eu, a Patroa e as Crianças".

Abaixo, o vídeo comparando os cabelos de brancas e negras.


E você, se surpreendeu?

Qual corte de cabelo achou mais legal? Já usou algum deles?

Deixe aqui embaixo seus comentários ;)

02 novembro 2015

A HIPOCRISIA DE QUEM NÃO SE ACHA HIPÓCRITA


O texto a seguir seria uma resposta a uma discussão de Facebook.

As pessoas criticavam evangélicos que fizeram um abaixo-assinado pedindo que Cunha saísse da presidência da Câmara. O motivo da revolta dos seguidores da página no Facebook é que "os evangélicos são todos hipócritas, que mandaram seus fiéis votarem no Eduardo Cunha, e agora pediam sua saída".

E eu iria dizer que evangélicos não são todos iguais, de uma forma bem explicativa. Todavia percebi que estaria atirando pérolas aos porcos. Não porque eu sou melhor do que eles, ou porque ache que são "indignos" de ler o que escrevo. Simplesmente porque eles, ali, não estão interessados em ler o que eu tenho para falar. Leriam as três primeiras linhas, talvez menos, e simplesmente me chamariam de crente hipócrita, bitolado, etc.

Daí eu lembrei que eu tenho um blog e que eu poderia, em vez de gerar conteúdo para o condomínio fechado do Mark Zuckerberg (fica aqui meu pequeno protesto contra as redes sociais de forma geral - condomínios fechados onde tudo é homogeneizado e controlado), eu poderia escrever aqui, no meu blog que, ainda que não esteja no mundo totalmente livre, pelo menos pode ser indexado pelo Google, o que o torna mais acessível a muito mais gente.

Logo, se você leu até aqui, primeiramente MUITO OBRIGADO. Isto significa que você se interessou em ler um pouco do que eu penso. Em segundo lugar, faça um blogueiro feliz: deixe um comentário ao final do texto.

Todo mundo grita pra todo canto que existe diversidade, que a diversidade e a liberdade devem ser respeitadas, mas daí chega uma hora em que todo mundo quer ditar o tipo de cristão evangélico que você devo ser: corrupto, vagabundo, vota no Cunha, intolerante, sectário, proselitista etc.

O que as pessoas não sabem, ou parecem fazer questão de não querer enxergar, é que existem mais tipos de igreja evangélica/protestante no mundo do que se possa imaginar. Temos igrejas históricas tradicionais, protestantes, pentecostais, pedobatistas (batizam crianças), que batizam só adultos, que batizam por aspersão, que batizam por imersão, isso pra ficar só no campo dos costumes e doutrinas. Se formos para campos ideológicos, temos igrejas de direita, de esquerda, inclusivas, só pra negros, só pra brancos, só pra mulheres, para latinos em países europeus, para americanos em países latinos etc. As combinações são infinitas, tantas quanto a variedade humana. Temos igrejas boas e igrejas más (como as que apoiam a "KKK", a Ku-Klux-Klan), só pra citar mais um exemplo.

O grande problema é que a maioria das pessoas que gosta de criticar a igreja evangélica de forma geral são pessoas de pensamento obtuso, criados num catolicismo pseudo-heterogêneo, aprendido em verso e prosa de seus pais e líderes, que não deixa com pensem fora da caixinha religiosa e comportamental.

E veja bem que não estou dizendo que tais pessoas sejam religiosas. Sei que muitos são ateus, ou espiritualizados sem religião, mas ainda continuam reproduzindo a mesma forma de pensar de seus tataravós, dizendo que se uma pessoa está sob um rótulo, ela não pode agir diferente de tal grupo denominado por tal rótulo.

Estes jamais mudaram sua forma de pensar, mas simplesmente
passaram a se denominar de outra forma.

São gays, negros, mulheres, ateus, etc., que lutam pela diversidade dentro do seu grupo, mas que não conseguem aceitar que outros grupos sejam tão diversos quanto os deles.

Por dentro, estas pessoas continuam reproduzindo a voz do opressor contra todos aqueles que são diferentes. Eles querem vingança, querem ver o diferente sofrer, e disfarçam, sob o manto da justiça, as feridas abertas da vingança.

Gostaria de dizer que apoio os ideais pró-escolha, LGBTT, sou negro e defendo o direito dos ateus. Defendo um estado laico, entretanto cansei dessa generalização e dessa homogeneização que fazem do evangélico/protestante.

Participei de uma igreja em que o pastor, por 15 anos, jamais deixou um político entrar na igreja para falar de política e pedir votos. Das poucas vezes que algum político apareceu por lá, este pastor fez questão de atravessar a rua para o lado oposto ao da igreja, pois não achava certo nem mesmo permitir que um político discutisse apoio político na região da igreja, pois achava que Estado e Igreja não deveriam se misturar.

Conheço alguns como este pastor. Obviamente, não somos muitos, mas estamos tentando mudar a situação. Estamos tentando mostrar que o mundo não é maniqueísta, e nem mesmo a igreja o é.

Martinho Lutero, um dos pais da reforma protestante, que deu origem às igrejas protestantes históricas, e que abriu caminho para muitas outras, pode ter sido o cabra mais filho da puta que já existiu. Pode ter defendido os próprios interesses, ter sido antissemita e racista, mas propôs algo que foi de extrema importância para a Igreja até hoje: o livre exame das Escrituras Sagradas. Obviamente, que o “livre” dele não incluía camponeses leigos que se revoltavam contra seus amiguinhos senhores feudais alemães. Estes camponeses não mereciam a liberdade, mas sim o fogo, não o eterno, mas o de
verdade. Mas isto é assunto pra outra hora...

E é através deste livre exame das Escrituras que podemos sempre resinificar a posição da Igreja dentro do mundo. Obviamente, muita merda há de sair destas leituras da Bíblia. Muita coisa que só serve para o proveito pessoal, muita "viagem na maionese". Mas é disso que vive a liberdade, de erros e acertos, de dúvidas, e pensamentos, e mais dúvidas. Até porque não serei eu que direi o que é merda da leitura de ninguém. Isto, só o tempo dirá.

Todavia, prefiro viver em um mundo livre e cheio de erros, e que interpreta a Bíblia de formas muitas vezes erradas, mas que me dá a chance de enxergar esse erro, reler e tentar redirecionar a rota, do que em um mundo em que tudo já foi dito e feito, em que os caminhos são aqueles ou aqueles, em que eu não possa analisar, pensar, redirecionar, tirar minhas conclusões e ter meus pontos de vista.

Por isso, se você é cristão evangélico, pare pra pensar que o mundo não é a sua denominação. Imagine que existem milhares de visões sobre o seu Deus e o seu Salvador e que a sua, a do seu pastor, a da sua denominação é uma entre muitas.

Acredito que não estejamos aqui para obter respostas, mas para caminhar e chegar a um suposto fim sobre o qual ninguém por mais sensitivo e sensível às experiências espirituais seja, pode dar 100% de certeza, que, por mais brisado que um irmão ou líder possa ser, aquilo que ele diz ter certeza é nada mais que a compreensão e a experiência de vida dele sobre uma ideia de espiritualidade.

Que, assim como é relatado sobre o Apóstolo Paulo, que possamos um dia deixar de ver as coisas pelo espelho, e ver como que pessoalmente. Talvez nos surpreendamos, talvez não. Talvez nossas ansiedades sejam respondidas, talvez nada passe uma tempestade eletroquímica percorrendo uma massa encefálica. É crer pra ver, ver pra crer e viver pra ter certeza.

E se você não é cristão, não é evangélico, pare e pense: a Igreja Cristã, a Igreja Evangélica, se estende por todo o mundo, ou pelo menos por todo o mundo ocidental e parte do oriental. Ela cobre e é professada por povos muito distintos entre si, tanto hoje como há milhares de anos. Não é possível que haja essa homogeneidade dentro dela, e também não é possível que cada pessoa que professe uma fé cristã ou evangélica seja responsável pela hipocrisia de muitos líderes.

Obviamente, também não quero me eximir da responsabilidade que trago sobre mim quando me denomino evangélico ou protestante, ou somente cristão, devido aos deslizes que o cristianismo cometeu durante todos estes séculos. Contudo, deem uma chance para que cristãos que se importam tentem fazer algo a respeito. Tente identificar os diferentes, tente dialogar, tente conhecer o que se está sendo proposto por cristãos progressistas, pós-modernos e nos ajude a reparar as cagadas feitas em nome de Deus e Jesus.

24 setembro 2015

O povo é o negro do mundo

Sei que tem algums parcos (eu disse "parcos", não porcos) políticos que PARECEM estar tentando fazer a coisa certa, mas eu ainda não consigo ver o político, de forma geral, sem desconfiança. Pra mim, o político sempre será como o homem em relação às mulheres: se ela estiver andando sozinha na rua, e tiver um cara perseguindo ela, só pode significar problema até que se prove o contrário.
Da mesma forma, quando um político faz algo bom, eu já espero a cobrança lá na frente, pois eles nunca dão ponto sem nó.
Na minha visão, em relação ao político, o povo é a minoria, da mesma forma que negros e mestiços constituem uma minoria em relação ao branco, mesmo sendo maioria numérica.

22 junho 2015

ECCLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST!

Estou num corre muito foda, e deixei passar muita coisa estas semanas
Deixei passar o acontecimento da menina Kaylane, que, quando voltava do culto do candomblé, foi apedrejada, junto com outras pessoas, e levou três pontos.
Segundo ela, as pessoas eram religiosas (cristãs - talvez protestantes), pois gritavam, com a Bíblia em riste, palavras religiosas como "vocês são demônios" e "Jesus está voltando". Tem um anexo aqui que fala sobre o caso, e sobre o desdobramento dele.
Mas eu pensei em escrever algumas linhas porque estes dias tenho visto o ódio e a intolerância contra o diferente crescendo a cada dia. Todavia, também tenho visto muitos cristãos se posicionando contra a violência e contra toda intolerância.
Na Parada do Orgulho LGBT, tivemos alguns irmãos empunhando faixas que diziam, entre outras mensagens, que Jesus Cura a Homofobia. Esta semana, como podem ver no artigo aqui embaixo, padres e outras lideranças cristãs receberam a menina Kaylane para um café da manhã, e para conversarem sobre intolerância.
Mais uma vez, os polos estão se tornando evidentes. Mais uma vez, as diferenças se acentuam e a humanindade passa por um período em que milhões de pessoas pedem por um novo tempo, seja religiosamente, politicamente, culturalmente.
Ao pedir por novidade, aqueles que fazem parte do "Status Quo", os que estão na crista da onda, não querem perder seus direitos, não querem perder as regalias que a História concedeu-lhes durante longos séculos. Ao se verem enfraquecidos e diminuidos, tais ortodoxos, sem vislumbrarem uma forma para manterem a antiga ordem, se debatem, e batem, literalmente, nos que pensam diferente, na esperança de continuarem e se perpetuarem.
Depende de nós, sobreviventes do passado, trabalhadores do presente e construtores do futuro, estarmos unidos e nos mantermos firmes contra a onda de intolerância.
Houve uma época em que eu não dizia mais ser protestante. Não queria ser identificado como evangélico, e tinha vergonha de me dizer "crente". Afinal, tudo isso se tornou sinônimo de ignorância, burrice e violência contra o próximo. Porém uma vez li o Rod Silva dizer que alguém disse que se denominava "protestante" porque nós não deviamos deixar nem mesmo este nome para estes pilantras que aí estão, e que não têm vergonha de gritar aos quatro cantos que são crentes, cristãos, protestantes, etc., e de praticarem tudo aquilo que os relatos a respeito de Jesus dizem ser uma abominação: usam o nome de Deus para ganhar dinheiro, espancam e matam gays, prostitutas, pessoas de outras religiões, pessoas de sua própria religião que não estão de acordo com suas vontades ou que estejam atrapalhando seus planos de $negócio$.
Como disse uma vez, me parece, Bob Marley, os maus não tiram folga nenhum dia. Sendo assim, acho que vale a pena perder alguns minutos do meu sono para escrever estas linhas. Eu não sou ninguém neste mundo. Não sou um repórter famoso, um blogueiro conceituado, um escritor ou político. tenho apenas alguns amigos que de vez em quando param para ouvir as baboseiras que tenho pra dizer.
Cada dia mais, tenho reassumido minha posição como cristão protestante, não para engrossar a massa de decerebrados do país, nem para queimar bruxas numa fogueira ideológica, mas para firmar meus pés contras esses FDPs que tentam a todo custo enganar as pessoas.
Sou cristão. Sou protestante. Sou evangélico. Sou crente.
Sou também um cara de 35 anos, tradutor, pai, baterista, sou um cara como você, como tantos outros, que se preocupa com o bem-estar dos que estão em condições piores do que a sua. Que fica triste quando um gay é espancado, ou que fica puto quando o Malafaia e o Feliciano, e muitos outros idiotas que se dizem crstãos, abrem a boca.
Os maus ortodoxos, intolerntes, crentelhos malafaianos e direiteiros bolsonaristas terão de engolir: O CRISTIANISMO MUDOU!
A Igreja não é mais a mesma. A Igreja hoje questiona mais, pensa mais, e não engole tudo que querem - se não a maioria, uma pequena parte. Só que esta pequena pode sumir no mar de denominações e credos que compõe o cristianismo.
Isto já aconteceu no passado. Milhares de outras doutrinas, muita diversidade e muitos pensadores dentro da própria Igreja foram abafados, apagados, mortos, destruídos. Suas filosofias e seus estudos que contestavam o padrão imposto foram aniquilados por concílios e reuniões de gente velha e acomodada - veja bem que o problema não é bem ser velho...). Contudo, hoje estamos em um mundo em que é um pouco mais difícil calar uma voz. Hoje, a informação e os pensamentos se espalham como vírus, como vermes, rastejando nas mentes das pessoas, criando comichões nos neurônios. Eles podem calar uma pessoa, mas não podem apagar uma ideia espalhada.
É por isso que eu assumo meu protestantismo, e peço para que todos os cristãos inconformados façam o mesmo. Não estou pedindo para você voltar a frequentar a sua antiga congregação. O que estou dizendo é que você tem todo o direito de se denominar da forma como quiser, ainda que velhos sentados em em bancos envernizados dentro de seus ternos mofados digam que você não pode. ELES SÃO PASSADO! JÁ ERAM!
A Igreja pertence a nós. A comunidade pertence a nós. o Mundo pertence a nós! Não deixem que meia-dúzia de malafaias digam o que você deve respeitar, quem você deve seguir e que reuniões você deve frequentar. Não deixe que alguns trouxas profissionais, paus mandados das grandes corporações digam como vocês devem se divertir, quem você deve respeitar ou como você deve crescer.
ECCLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST!
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18 maio 2015

Pequenas Alegrias do Dia-a-Dia - DIA 01

18 DE MAIO, 2015


Nem sei se vou continuar escrevendo esta série depois de hoje.

Desprender-se é uma parte muito difícil da vida da gente, principalmente quando passamos por relacionamentos duradouros.

Devo confessar que, profissionalmente, estou saindo do relacionamento mais longo que já tive. Foram 5 anos e 8 meses (sem contar meus trampos freela de tradução, mas este é um relacionamento bandido, cheio de idas e vindas, rs).

Claro que nem todos os dias foram alegres. Nem todos os dias eu queria me apresentar para este compromisso. Havia dias em que eu queria simplesmente sumir.

Nem tudo é perfeito.

Havia dias em que eu só queria estar em outros lugares.

Havia dias em que eu flertava com outras oportunidades, que eu até cheguei a sair com "outros", rs.
O bem da verdade é que às vezes, nestes relacionamentos, nos sentimos meio usados.

Mas a verdade é que esta série de postagens – assim espero que seja: um post de muitos futuros – não é pra falar em um passado de uma semana, um mês atrás. Estas postagens serão para falar de coisas que se passaram há pouco tempo, mas tão pouco que se confundem com o presente, não fosse o relógio para nos lembrar que agora não é igual há um segundo, que hoje de manhã muita coisa aconteceu e fez eu agir de tal forma que me levasse a sentar aqui na frente do computador, ouvindo sei lá o quê, digitando umas poucas letras.

Minha pequena alegria desta manhã

Talvez estes textos fiquem mais complexos com o passar do tempo (esta é minha esperança). O bem da verdade é que eu acho que não haverá um "DIA 02" para esta série. Mas eu quero muito escrever o segundo! E o terceiro, o quarto, o quinto, etc.

Hoje, só quero falar de algo bem pequeno, mas que me tira do sério.

Quem tem filho pequeno e tem o compromisso de tirá-lo da cama cedo de manhã sabe o que sinto.

Quero falar sobre CAMAS MOLHADAS.

Minha pequena alegria de hoje foi não ter que colocar roupas de cama para lavar por causa de um xixizinho noturno do meu filho. Muita gente deve pensar "nossa, mas que bobeira". Pois é. É uma bobeira, mas só quem tem que tirar uma criança da cama, trocar ela toda – não esquecendo de limpá-la para que não fique cheirando mal –, pegar lençóis, cobertores e até travesseiros e colocá-los na máquina de lavar – principalmente nesta crise hídrica dos infernos que estamos passando aqui em São Paulo – sabe como é gratificante acordar, ir até o quarto ao lado e perceber que o pimpolho continua quentinho e cheiroso como você o tinha colocado na cama na noite anterior.

Então é isso: meu agradecimento de hoje vai para o pequeno aparelho urinário do meu filho ;)

ATUALIZAÇÃO
Já fazem algumas semanas que o Paulo Victor não faz xixi na cama. Claro que sei que isso não será uma constante. Não tenho vergonha nenhuma em dizer que fiz xixi na cama até meus 10, 11 anos de idade (e devo dizer que, vez ou outra, mais velho, inclusive na casa de amigos da adolescência (desculpem-me - vocês sabem quem são, rs). Mas estou feliz por hoje.

Como disse, quero muito que as "Pequenas Alegrias do Dia-a-Dia passem da edição número 01, mas, por enquanto, não consegui ainda.

Vamos tentando ;)

29 abril 2015

Sobre moedas e a diversidade


“César cunhou moedas todas idênticas. Mas nosso Deus é um Deus da diversidade. Nosso Deus é um artista. O reino de Deus é um lugar onde as pessoas são únicas, exatamente como nossas impressões digitais. Assim, por exemplo, você olha para a moeda e o "símbolo de César" controla toda a vida, porque tudo na vida é mediado por este símbolo. Mas o reino de Deus que Jesus advogou era muito diferente. Quando Jesus chamou as pessoas, cada um respondeu de uma maneira diferente, dependendo de sua vocação e missão no mundo. Alguns venderam tudo e o seguiram; outros agiram de outras formas. Isso mostra que há espaço para a diversidade no reino em que ele defendeu. Jesus nos deixou pouquíssimas respostas, mas fez muitas, muitíssimas perguntas. Questões que ajudaram pessoas a descobrir seu próprio sentido de direção, sentido de vida e de identidade em Deus. Algumas vezes, o que essas pessoas descobriram as colocou em conflito tanto com o sistema político quanto religioso da Palestrina do primeiro século." - Shane Claiborne apud Matthew Fox, Occupy Spirituality.

A inércia dos bons e a perversidade dos maus


Ontem estava assistindo a um programa de TV que discutia o assunto "redução da maioridade penal". Era em um daqueles canais UHF, que ninguém assiste (infelizmente, bons assuntos quase sempre estão nos canais menos vistos).

Uma jornalista trouxe um dado interessante: no final de 2014, foi feito um referendo no Uruguai, juntamente com a eleição para presidente, sobre a diminuição da maioridade penal. Um detalhe é que o assunto começou a ser discutido no país em 2011 e, naquela época, mais de 70% da população se mostrava a favor de que jovens com 16 anos ou mais fossem julgados e encarcerados como adultos.

Desde então, setores da sociedade, jornais, empresas e indivíduos contra a redução passaram a fazer uma propaganda forte, com passeatas, programas de rádio e TV, matérias em jornais etc., tentando mostrar para a população porque a redução da maioridade penal era ruim e ineficaz.


O resultado é que, 3 anos depois, no final de 2014, pouco mais de 53% dos uruguaios votaram CONTRA a redução da maioridade penal. Isto deveu-se, ao que tudo indica, à manifestação massiva daqueles que eram contra a redução a fim de esclarecer a população, trazendo dados e chamando à sensatez a maioria esmagadora que antes era a favor da redução.

No Brasil, aqueles que estão encabeçando a mudança da lei para que adolescentes com 16 anos possam ser condenados como adultos por seus crimes são pessoas ligadas às bancadas mais conservadoras do país - conhecidos como "BBB": Bíblia, Bala e Boi, ou as bancadas Evangélica, Militarista e Ruralista. Estas pessoas deixaram a tempos de usar dados e fatos para apoiarem suas ideias — se é que um dia usaram. Antes, valem-se de um discurso baseado na emoção, e na falsa sensação de que os crimes de jovens infratores piorou, quando na verdade, o que parece ter acontecido é que a nossa percepção sobre a violência aumentou, devido à enxurrada de notícias que chega até nós através dos mais diversos meios.

Acho que acabei me afastando um pouco do meu objetivo. Não que tenha sido uma viagem perdida, mas deixa eu voltar.

Observem bem: o placar no Uruguai parece ter sido revertido por causa da insistência dos sensatos (sim: já assumi que ser a favor da diminuição é uma insensatez) em mudar a opinião daqueles que talvez, ao não se ter muita ideia do que se tratava, estava agindo com a maioria, talvez por impulso ou medo. Eu não sou um cara muito lido. Aliás, no mundo de blogs, jornais e escritores, sou menos que um átomo na imensidão do Universo. Contudo, me proponho — sem saber se conseguirei — escrever pelo menos algumas poucas linhas sobre por que não apoiar a redução da maioridade penal.

Se, na minha insignificância, eu conseguir no mínimo fazer com que uma pessoa a favor da redução fique em dúvida e vá se informar mais sobre o assunto, já estarei me sentindo vitorioso.

28 abril 2015

Toma que o filho é teu - ou eu boto ele na cadeia


Antes sempre se ouvia nos jornais, ou por aí, pessoas dizendo: "estamos perdendo nossos filhos ou nossas crianças para as drogas, para o crime", etc.

Hoje em dia já não se ouve mais isto. O que se ouve é "temos que baixar a idade de condenação para colocar esses vagabundos na cadeia".


O que será que mudou? Será que estas "crianças" e "filhos" que antes eram nossos, agora não são mais? Será que agora justifica mandarmos "nossos filhos" para a cadeia, e quem sabe, num futuro próximo, para morrerem em cadeiras elétricas, fuzilamentos e câmaras de gás?

Ou será que, na verdade, essas crianças e filhos, que antes a sociedade chamava de "nossos", e que os apresentadores de jornal diziam que precisávamos tirá-los das ruas, dar educação, nunca foram mesmo "nossos filhos", mas sempre foram filhos do outro: da favela, dos pretos, das empregadas, dos trabalhadores, dos mendigos?

Parece que hoje a sociedade, cada vez mais embrutecida, não se importa de renegar estes filhos, e se sente-se à vontade para condená-los, sem o sentimento de que tais menores fazem parte da sua sociedade, da mesma família humana que nós, mas são bichos, são gente que nasceu assim, por aí, da "parideira", da chocadeira, como se dizia antigamente, e que não são mais preocupação nossa.