27 maio 2010



A menina que não faz idéia do quanto é bonita.

O mendigo de capa de chuva amarela e chapéu de palha, atravessando a rua na frente do ônibus que vai para o centro da cidade.

O vento na saia quando o trem do metrô se aproxima.

A risada do grupo de mulheres na Avenida Paulista que voltam juntas do trabalho.

A trilha sonora particular do rapaz usando fones de ouvido.

A senhora gorda que se apóia na janela do ônibus segurando três sacolas.

O cheiro de frango assado da padaria.

O céu azul no Parque Ibirapuera.

Os filmes italianos em preto e branco.

O rock’n’roll.

A calçada irregular e os pedaços de mato sem nome que nascem em cada rachadura da periferia.

A Pinacoteca.

O colorido dos grafiteiros.

A pressa.

O casal gay de mãos dadas no Belas-Artes.

O senhor de idade que sai pra balada todo fim de semana.

A fumaça dos cigarros.

As buzinas.

O bêbado xingando o companheiro na porta do boteco.

O chão do bar grudento de cerveja.

Os sonhos da criança de rua que pede no farol.

O motoboy que quebra o retrovisor do carro com um pontapé.

As obras daquele prometido metrô.

As fotos.

O homem que joga o papel de bala pela janela do carro.

O MAM.

A chuva fininha que arrepia os pelinhos da nuca.

O beijo do casal antes dela entrar em casa.

O yakissoba por 5 reais da Praça da Liberdade.

O barulho do salto alto no asfalto no beco.

A favela.

A Oscar Freire.

Os sacos de lixo brilhantes.

O ator que declama poesias no SESC.

Os cafés.

Os Hare - Krishna.

A maleta do executivo.

Os cabelos azuis e as luvas listradas de preto e branco das adolescentes no shopping.

Os livros e os pufes coloridos das livrarias.

A solidão de cada um na cidade cinza.

O cinza.

São Paulo.

Eu.



Originalmente publicado em http://mariportela.tumblr.com/
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