14 novembro 2008

Ferro na boneca

"Jovens são acusados de estupro e de divulgar vídeo na internet Três jovens de classe média -dois de 18 anos e um de 16- são acusados de estuprar uma menina de 15 anos e de divulgar as imagens do crime, filmado por eles próprios, pela internet. O estupro, segundo a polícia, ocorreu durante uma festa no pequeno município de Joaçaba (SC), a 419 km de Florianópolis. Os dois jovens de 18 anos, um deles estudante universitário, foram presos na quarta. No mesmo dia, o rapaz de 16 anos foi encaminhado a um centro para adolescentes infratores." (Folha de S. Paulo - Cotidiano - Sexta-feira, 14 de novembro de 2008.) Ferro na boneca Meu presente de 18 anos, fui em mesmo quem me dei. Poderia ter pedido qualquer coisa ao papai; eles me dariam. Poderia ter feito uma viagem, conhecido novos lugares novas pargens. Mas decidi algo mais simples, e tinha que ser em uma festa, com meus amigos. Uma boneca. Uma dessas, de sex-shop. Mas não era uma boneca comum. Já tinha ouvido falar de bonecas assim, acho que vindas do Japão, ou de algum outro país desses onde os homens gostam de brincar com bonecas, transar com crianças e se casarem com personagens de animé. Era uma boneca gostosa, mesmo. Dei parte do dinheiro aos meus amigos - o resto eles fizeram questão de pagar - e pedi uma boneca que aparentasse uma adolescente. Eles me disseram que no catálogo dizia 15 anos. É, o rosto era de quinze anos, sim, mas o corpo, ah, o corpo... Tinha um corpo de 25 anos. Parecia uma atriz: loira, lábios carnudos, peitos grandes, cintura fina e bunda perfeita. Seus olhos lembravam algo entre inocência e desejo, algo que provocava. Não sei se essa sensação era por eu ter bebido um pouco além da conta, mas ela parecia muito ser de verdade. Porém, logo meus amigos me lembraram, "é só uma boneca, seu idiota, vai logo, porque a gente já vai filmar". Eu até achei estranho, porque os dois estavam ali, tão excitados quanto eu. O Marquinho tinha 16 anos e era o pior deles, parecia um pitbull no cio (um outro amigo meu disse outra vez que um pitbull bolinou na perna dele; ele sentia vontade de chutar as bolas do cão, mas tinha medo de tomar uma mordida...). O Rico estava com o celular, um desses smart phones, com boa resolução. Ele também tinha feito 18 anos fazia pouco tempo e ganhou o aparelho de presente; estava louquinho pra estrear o brinquedo com algo que valesse a pena. A gente queria fazer algo bem realista, como aqueles filmes gringos. Então pensamos "nada melhor do que o banheiro". Arrastamos a garota, quero dizer boneca, para o banheiro e eles começaram a filmar. O engraçado é que havia horas em que ela parecia resistir, como se eu a estivesse estuprando-a. Mas não podia ser. Ela era minha. Eu era um rapaz, forte, de família boa, e tinha dinheiro. Ela era apenas um brinquedo. Eu e meus amigos tinhamos comprado-a. Ela era nossa... Puxa, mas como ela parecia de verdade! Era quente, cheirosa, flexível, como uma garotinha. É claro que tinha horas em que ela parecia estar bêbada, também. Aí, meu Deus, eu estava muito bêbado, mesmo! Achar que uma boneca, um objeto, fosse uma garota, e que ainda por cima estava bêbada! Na verdade, eu não sabia muito bem como uma garota era. As únicas que tinha visto mais de perto foram as das revistas. Mas eu imaginei que uma garota fosse assim. Eu transei com ela. Minha garota. Uma boneca. Eles filmaram tudo. O Marquinho também tirou sua casquinha, depois de mim é claro. O moleque parecia um animal, e não parecia ser a sua primeira vez. Ele era selvagem e parecia que ia rasgar a boneca no meio. Penetrou todos os orifícios do corpo dela sem sentir a menos das piedade. Senti-me pequeno perto daquele garoto. Depois de mais ou menos meia hora, levamos a boneca para a sala e a colocamos lá, nua, jogada no sofá. Todos achavam impressionante, não sei se tinham bebido tanto quanto eu, mas todos chegavam a achar que era uma menina de verdade. Todos fotografaram, filmaram. Muitas dessas filmagens foram parar na internet, juntamente com a filmagem do Rico. No outro dia, os adultos da cidade souberam das fotos, viram os filmes, e acharam repugnante. "Não deveríam ter feito isso", disseram nossos pais, "se expor daquela forma mancharia a reputação da família e da cidade. Eu nunca vou entender a geração dos meus pais. Lutaram contra o fim da ditadura, da censura, pelo "faça amor, não faça guerra", e agora que temos essa liberdade toda, nos censuram com seu banho de moralidade. Imagine se tivéssemos feito algo com uma garota de verdade, daquelas menininhas lá da escola do Marquinho. Ah, como são gostosinhas, aquelas bonequinhas...
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