17 novembro 2008

Violência e justiça

Ontem estava andando pela Lapa (SP), ali na Rua Nossa Senhora da Lapa com a Sandra. Estávamos indo buscar nossas fotos tiradas por ocasião do nosso casamento civil. Íamos subindo a ladeira, tudo estava sossegado: a rua tinha algumas poucas pessoas, a maioria das lojas estava fechada. Somente as lojas de departamento, mercenárias e que não querem perder um segundo de dinheiro, estavam funcionando. Foi aí que vi um pivete que aparentava mais ou menos uns 8 anos descendo a rua na maior velocidade, e um rapaz, que aparentava ser chinês (ou coreano, não sei bem) vindo atrás dele na mesma velocidade. Logo, concluí que se tratava de um assalto. Tive alguns segundos para pensar "agarro, passo uma "rasteira", dou um tapa, um chute... Decidi agarrar o moleque. Parecia ser o mais sensato a fazer. Nem bem agarrei o rapazinho, todo sujo, como é de costume a esses meninos que moram na rua, o oriental chegou e foi pra cima do menino. Tudo certo, afinal, o cara tava com raiva. Tudo certo, se o japinha não tivesse uma faca na mão! Tá bom: não era uma faca que se diga "nossa, o Rambo usou uma dessas pra acabar com os vietnamitas"; era uma faca dessas de "serrinha", de cabo meio branco, meio amarelado (acho que é o que o pessoal chama de "creme"; sou ruim com cores intermediárias...), mas era uma faca, pôxa! Na hora eu soltei o menino e agarrei o rapaz que estava com a faca, e ele tentando cortar o menino. Ele ia matar o pivete! Tentamos (eu, a Sandra, e mais alguns que estávam por ali), e conseguimos desarmá-lo. Graças a Deus, evitamos que o pior acontecesse. Levaram o pivete embora e nós subimos a rua com o oriental, seu pai e mais uma pessoa que estava por lá. Aí eles contaram que aquele pivete rouba a lanchonete deles todos os dias, e que o japinha ficou revoltado e saiu correndo atrás do moleque, disposto a matá-lo. No fim, nada foi resolvido, mas eu fiquei pensando na situação. De um lado, tínhamos o pivete, que, pela impunidade, juntamente com a vida miserável que leva, não tinha medo de morrer, ou se tinha, esqueceu totalmente tal medo na hora de roubar. Ele rouba todos os dias, seja pra soviver, seja pra alimentar algum vício (que não deixa deser uma forma de sobreviver - ou seria "subviver"?). Do outro tínhamos o rapaz da lanchonete que, cansado de ser roubado todos os dias, e desacreditado da falsa segurança que o Estado promete, decidiu fazer a justiça com as próprias mãos. Nessa situação, me perguntei: "e aí, qual é o certo?" Eu devia ter deixado o chinês acabar com a vida do pivete, ou pelo menos tê-lo deixado ferido, para ver se "aprendia", ou agi certo, zelando pela vida de um trombadinha mal-agradecido que, com certeza, se tiver uma chance, me assalta também, quem sabe até para se vingar do susto que ajudei a dar nele? Eu não sei, sinceramente, como responder. Por enquanto acho que fiz o correto. Ninguém tem direito de aplicar a justiça, a não ser Deus, creio eu, mas até quando situações como essas irão continuar a acontecer? Sei que temos que educar para que as futuras gerações sejam diferentes desta, mas com a conscientização de meia-dúzia de pessoas, será impossível conseguir algo concreto. É dessa forma que vejo a civilização continuando como sempre foi: violência, miséria, justiça falha e Estado corrupto. Se alguém tiver alguma opinião que pelo menos nos faça sonhar com um futuro diferente, me conte...

14 novembro 2008

Ferro na boneca

"Jovens são acusados de estupro e de divulgar vídeo na internet Três jovens de classe média -dois de 18 anos e um de 16- são acusados de estuprar uma menina de 15 anos e de divulgar as imagens do crime, filmado por eles próprios, pela internet. O estupro, segundo a polícia, ocorreu durante uma festa no pequeno município de Joaçaba (SC), a 419 km de Florianópolis. Os dois jovens de 18 anos, um deles estudante universitário, foram presos na quarta. No mesmo dia, o rapaz de 16 anos foi encaminhado a um centro para adolescentes infratores." (Folha de S. Paulo - Cotidiano - Sexta-feira, 14 de novembro de 2008.) Ferro na boneca Meu presente de 18 anos, fui em mesmo quem me dei. Poderia ter pedido qualquer coisa ao papai; eles me dariam. Poderia ter feito uma viagem, conhecido novos lugares novas pargens. Mas decidi algo mais simples, e tinha que ser em uma festa, com meus amigos. Uma boneca. Uma dessas, de sex-shop. Mas não era uma boneca comum. Já tinha ouvido falar de bonecas assim, acho que vindas do Japão, ou de algum outro país desses onde os homens gostam de brincar com bonecas, transar com crianças e se casarem com personagens de animé. Era uma boneca gostosa, mesmo. Dei parte do dinheiro aos meus amigos - o resto eles fizeram questão de pagar - e pedi uma boneca que aparentasse uma adolescente. Eles me disseram que no catálogo dizia 15 anos. É, o rosto era de quinze anos, sim, mas o corpo, ah, o corpo... Tinha um corpo de 25 anos. Parecia uma atriz: loira, lábios carnudos, peitos grandes, cintura fina e bunda perfeita. Seus olhos lembravam algo entre inocência e desejo, algo que provocava. Não sei se essa sensação era por eu ter bebido um pouco além da conta, mas ela parecia muito ser de verdade. Porém, logo meus amigos me lembraram, "é só uma boneca, seu idiota, vai logo, porque a gente já vai filmar". Eu até achei estranho, porque os dois estavam ali, tão excitados quanto eu. O Marquinho tinha 16 anos e era o pior deles, parecia um pitbull no cio (um outro amigo meu disse outra vez que um pitbull bolinou na perna dele; ele sentia vontade de chutar as bolas do cão, mas tinha medo de tomar uma mordida...). O Rico estava com o celular, um desses smart phones, com boa resolução. Ele também tinha feito 18 anos fazia pouco tempo e ganhou o aparelho de presente; estava louquinho pra estrear o brinquedo com algo que valesse a pena. A gente queria fazer algo bem realista, como aqueles filmes gringos. Então pensamos "nada melhor do que o banheiro". Arrastamos a garota, quero dizer boneca, para o banheiro e eles começaram a filmar. O engraçado é que havia horas em que ela parecia resistir, como se eu a estivesse estuprando-a. Mas não podia ser. Ela era minha. Eu era um rapaz, forte, de família boa, e tinha dinheiro. Ela era apenas um brinquedo. Eu e meus amigos tinhamos comprado-a. Ela era nossa... Puxa, mas como ela parecia de verdade! Era quente, cheirosa, flexível, como uma garotinha. É claro que tinha horas em que ela parecia estar bêbada, também. Aí, meu Deus, eu estava muito bêbado, mesmo! Achar que uma boneca, um objeto, fosse uma garota, e que ainda por cima estava bêbada! Na verdade, eu não sabia muito bem como uma garota era. As únicas que tinha visto mais de perto foram as das revistas. Mas eu imaginei que uma garota fosse assim. Eu transei com ela. Minha garota. Uma boneca. Eles filmaram tudo. O Marquinho também tirou sua casquinha, depois de mim é claro. O moleque parecia um animal, e não parecia ser a sua primeira vez. Ele era selvagem e parecia que ia rasgar a boneca no meio. Penetrou todos os orifícios do corpo dela sem sentir a menos das piedade. Senti-me pequeno perto daquele garoto. Depois de mais ou menos meia hora, levamos a boneca para a sala e a colocamos lá, nua, jogada no sofá. Todos achavam impressionante, não sei se tinham bebido tanto quanto eu, mas todos chegavam a achar que era uma menina de verdade. Todos fotografaram, filmaram. Muitas dessas filmagens foram parar na internet, juntamente com a filmagem do Rico. No outro dia, os adultos da cidade souberam das fotos, viram os filmes, e acharam repugnante. "Não deveríam ter feito isso", disseram nossos pais, "se expor daquela forma mancharia a reputação da família e da cidade. Eu nunca vou entender a geração dos meus pais. Lutaram contra o fim da ditadura, da censura, pelo "faça amor, não faça guerra", e agora que temos essa liberdade toda, nos censuram com seu banho de moralidade. Imagine se tivéssemos feito algo com uma garota de verdade, daquelas menininhas lá da escola do Marquinho. Ah, como são gostosinhas, aquelas bonequinhas...
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13 novembro 2008

Cada um tem a chuteira que merece...

Sei que a piada deve ser velha,mas o importante é que eu só vi a figura hoje. Tenho a "mania" de pegar as piadas que me mandam por e-mail, jogar em uma pasta e depois, bem depois, vou lê-las. Foi aí que encontrei a figurinha a seguir. Ela fala por si só...

12 novembro 2008

O guia do preguiçoso produtivo

Escrito originalmente em inglês por Jonathan Mead, retirado do blog Zen Habitsem inglês. (Título original: “The Lazy Man’s Guide to Getting Things Done”)

Qual seria a sua reação se eu disse que você pode ser totalmente preguiçoso e irresponsável, e mesmo assim conseguir realizar muitas coisas? E se você pudesse ficar todo folgadão, de bobeira por aí sem fazer nada, e mesmo assim conseguir realizar mais do que a média das pessoas conseguem? Essa é uma arte, mas você pode dominar tal habilidade com um pouco de prática.

Algumas dicas aqui parecerão muito trabalhosas, porém esse é o preço a se pagar para poder ficar ocioso o dia todo.

1. Seja eficaz.

O bom preguiçoso sabe o valor do trabalho duro. E ele também sabe que pode fazer tudo mais fácil e mais proveitosamente se fizer de maneira eficaz. Isso significa: manter o foco naquilo que importa. O que é mais importante para você, organizar suas cuecas para que fiquem todas guardadinhas combinando as cores e modelos, ou escrever aquele livro sobre dominação mundial do qual você já fala há 12 anos?

Mantenha o foco na eficácia, em vez de tentar fazer tudo perfeitamente. Deixe tudo correr por conta própria, deixe que a casa fique um pouco bagunçada, permita que sua mesa seja menos organizada. Deixe de verificar sua caixa de entrada de e-mails por um dia. Faça o que for possível para manter o foco naquilo que realmente é importante.

2. Faça sua pesquisa.

Isso pode não parecer algo que pessoas preguiçosas gostem de fazer, mas é essencial se você quer gastar bastante tempo fazendo aquilo que, obviamente, realmente gosta de fazer. Se quer trabalhar menos, é importante fazer sua pesquisa. Estude as tendências, siga os principais movimentos do seu setor de trabalho.Se você conhecer o lugar e a hora certa de agir, é possível ficar quilômetros à frente daqueles que simplesmente trabalham pra caramba esperando que as coisas saiam bem.

3. Haja por instinto.

Pessoas que trabalham muito e conseguem pouco passam tempo demais pensando sobre a melhor forma de agir. Elas planejam e maquinam incessantemente. O que acaba acontecendo é que o resultado sempre sai da forma que NÃO imaginaram. O preguiçoso sabe que planejar é útil, mas que esse recurso é quase sempre supervalorizado. É melhor agir por instinto do que ter um plano altamente detalhado que você simplesmente irá jogar fora mais tarde.

4. Conheça pessoas.

Um camarada esperto e preguiçoso sabe a importância das conexões. Ele sabe que pode conseguir muito mais ajudando os outros e cooperando. Nem sempre o que importa é o que você pode fazer, mas sim “quem você conhece”. Se puder manter o foco em ajudar os outros sempre que possível (sendo um elo importante) você criará conexões importantes facilmente com outras pessoas. É sempre muito mais fácil conseguir ajuda de alguém que você já tenha ajudado um dia.

5. Livre-se das reuniões e de tudo aquilo que não tem importância.

As reuniões são normalmente improdutivas e uma perda de tempo para todos. Elas são quase sempre irrelevantes para a maioria das pessoas envolvidas. O objetivo da maioria das reuniões pode ser comumente alcançado mandando-se um e-mail ou simplesmente fazendo-se uma ligação. Se a reunião não exigir uma tomada de decisão de alto nível e estratégica, esteja fora dela sempre que possível.

Sempre que for possível, identifique aquilo que não funciona. Há certas coisas que simplesmente não fazem muita diferença se você gastar muito ou pouco tempo com elas. Há também coisas com as quais não é necessário gastar nenhum tempo. Tente manter o foco naquilo que produza os maiores resultados. Jogue fora todo o resto.

6. Mantenha o foco em pouca coisa.

Se você é preguiçoso como eu, provavelmente não vai querer perder tempo com coisas que não são realmente eficazes. É bem melhor trabalhar em uma idéia fantástica do que em 20 outras idéias medíocres. Mantenha o foco em produzir menos. Não sacrifique a qualidade para satisfazer uma demanda arbitrária.

7. Deixe que as coisas aconteçam.

Tentar fazer com que as coisas saiam do seu jeito não é só estressante, mas também não é muito inteligente. É melhor ir lidando com as situações do que tentar dirigi-las como um ditador. Tente deixar as coisa acontecerem em vez de fazer com que aconteçam. Lembre-se que um pequeno leme pode guiar até o maior dos navios.

8. Não faça aquilo que funciona.

O destruidor de sonhos número 1 é fazer aquilo que funciona. Seguimos um modelo daquilo que funciona para os outros. Escalar os degraus corporativos pode funcionar, sim, mas isso não significa que essa seja uma boa idéia para você. Se você é esperto e quer ser preguiçoso, você seguirá o seu próprio caminho. Você caminhará no seu passo, em vez de tentar trilhar um caminho comprovado de eficácia.

É bem mais fácil andar no seu ritmo exclusivo do que se forçar a entrar em um molde arbitrário.

Pode parecer que para conseguir tudo isso seja necessária muita dedicação, e realmente é assim. Mas essas dicas também permitirão que você tenha tempo livre para ser tão preguiçoso ou improdutivo quanto queira.

Artigo escrito pelo colaborador do blog Zen Habits Jonathan Mead do blog Illuminated Mind. Para conhecer mais formas de defender a sua preguiça, faça uma assinatura gratuita do blog Illuminated Mind (em inglês).

Leia quando puder: Como não fazer as coisas pode fazê-lo mais produtivo (How Getting Nothing Done Can Make You More Productive – em inglês).

11 novembro 2008